02 janeiro 2011

1001 Filmes: Akira (Akira)

DIREÇÃO: Katshuhiro Otomo;
ANO: 1988;
GÊNEROS: Ação, Animação, Aventura, Ficção Científica e Thriller;
NACIONALIDADE: Japão;
IDIOMA: Japonês;
ROTEIRO: Katshuhiro Otomo e Izô Hashimoto;
BASEADO EM: mangá homônimo de Katshuhiro Otomo;
PRINCIPAIS ATORES: (Akira/28); Mitsuo Iwata (Shotaro Kaneda); Nozomu Sasaki (Tetsuo Shima); Mami Koyama (Kei); Tarō Ishida (Coronel Shikishima); Kazuhiro Kamifuji (Masaru/27); Tatsuhiko Nakamura (Takashi/26); Fukue Ito (Kiyoko/25); Hiroshi Ōtake (Nezu); Masaaki Ōkura (Yamagata/Yama); Takeshi Kusao (Kai) e Yuriko Fuchizaki (Kaori).




SINOPSE: "O ano é 2019 e Tokyo (hoje chamada de Neo Tokyo) já fora abalada por uma Terceira Guerra Mundial. Gangues de motoqueiros povoam uma nova cidade aterrorizada por grupos anti-governamentais. Kaneda é o líder de uma dessas gangues e o membro mais novo de seu grupo, Tetsuo, acaba se desgarrando. Tetsuo sofre um acidente misterioso, e acaba sendo presa de um coronel com sede de poder e de um doutor meio paranóico tornando-se vítima de uma série de experiências, as quais tentam fazer com que ele desenvolva uma espécie de poder psíquico. Esta força acaba por enlouquecê-lo aos poucos, fazendo com que ele comece a perder o auto-controle. O poder é comparado ao de "Akira" e agora todos devem se unir para evitar uma nova tragédia de proporções mundiais." (Animes Shade).


"Akira me surpreendeu duplamente. Primeiro, a qualidade, o cuidado, os detalhes do desenho agregado à imaginação de Katshuhiro Otomo resulta nesse trabalho vigoroso, ágil, caótico e confuso. A segunda surpresa, é justamente essa confusão, bagunça e poluição, que acabam por vezes não tendo um sentido claro e óbvio. Essas duas características acabam por se completarem, pois sem essa loucura a criação poderia ser limitada. Não me agrada muito esse caos sem nexo, mas fiquei imensamente encantado com o dom para desenhar de Otomo, um outro filme, sem essa genialidade, não teria recebido mais que 2 na minha votação particular. Ele consegue descrever um mundo que imaginamos ser daqui mais de 20 anos, se pensarmos que o mundo irá ser mais violento, truculento, ambicioso, egoísta e caótico que é hoje."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Muito interessante como alguns filmes animados conseguem penetrar na alma das pessoas como é o caso de Akira. Explicação para isso talvez seja o lúdico como forma de contato com nossas partes mais primitivas. Em todo caso, o longa demonstra o mundo adolescente com todo seu 'poder', tanto criador quanto destruidor. Os impulsos, a falta de certeza, a possibilidade de se lançar aos riscos sem horizonte e, porque não dizer, necessidade de se lançar ao mundo para conhecê-lo. Os poderes latentes de Tetsuo mostram o alto potencial humano para a realização, para a criação, preconizado por Carl Rogers no século XX, ignorado por muitas vertentes do conhecimento acerca da mente humana. Mas não sem dor... não sem agressividade. Este poder, ao ser desenvolvido no personagem, mostra toda sua agressão contra o mundo, a defesa que emite para contrapor-se à sua fragilidade construída em uma história de vida de carência e abandono, na tentativa de se elaborar lutos e de se experienciar a glória. A questão que fica, a meu ver, desta produção, é no quanto reprimimos em nós (seja por conta do olhar do outro ou por nossa própria dinâmica interna) este poder criador e este desprendimento que quando mais jovens tendemos a ter, de se jogar no mundo para conhecê-lo, sem medo de encontrar novos caminhos e sabendo que a criatividade leva à resolução das adversidades. Em que momento esta ruptura acontece? Onde está aquele jovem (leve, talvez) que um dia fomos? Além disso, o filme conta também um pouco do que é o universo jovem na cultura japonesa, que tenta por diversos meios reprimir os instintos e julgar a competência daquele que está ali para contribuir para o crescimento da comunidade (fato compreensível para um povo com tanta determinação). Resultado desastroso desta pressão exercida se encontra na Síndrome Hikikomori, na qual o jovem se isola por longos períodos, se escondendo do olhar do Outro. Lacan poderia estar aqui para nos ensinar um pouco sobre esta relação que se estabelece. Há tanto para se falar desta produção de Katsuhiro Otomo... uma animação japonesa cheia de símbolos e significados subliminares que merece ser conhecida pelo ocidente."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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